Anna Rachel Ferreira (annarachel@novaescola.org.br) As educadoras do Colégio Acadêmico Florença, em Florianópolis, trabalham para que os pequenos tenham um ambiente de qualidade e ficam atentas ao relacionamento com eles. Tudo para que se desenvolvam de modo saudável. Lá, o respeito e o cuidado com cada bebê é tão importante como os momentos de descobertas individuais. "Eles gostam de escolher o que fazer. Com o tempo, usam isso a favor da aprendizagem", diz Marília Batista, responsável pela turma de 2 anos. A autonomia dada às crianças, sempre acompanhadas de perto, proporciona momentos de satisfação. "Comemoramos com elas os sons descobertos, os passos dados e quando se alimentam sem ajuda. A alegria delas por causa das conquistas é evidente", diz Rafaela da Silva, que trabalha com a turma até 1 ano.
"Me apoio para andar"
"Me apoio para andar"
Todos gostam de segurar em caixas e subir a rampa da sala. "Deixamos que cada um tenha seu tempo e se sinta livre para ir e vir", explica Rafaela. O que justifica essa postura: em espaços amplos e seguros, os pequenos sempre encontram um jeito de se mexer. Essa oportunidade é enriquecedora para o desenvolvimento motor. Segundo Emmi Pikler, a criança que consegue algo por iniciativa e meios próprios adquire uma gama de conhecimentos superiores àquela que recebe as soluções prontas.
"Não vou espernear"
"Não vou espernear"
A troca da fralda não é uma tarefa mecânica. Carinho e atenção são demonstrados com o contato visual e o hábito de explicar à criança o que está sendo feito. Assim, ela pode ajudar, de acordo com suas possibilidades. No livro Educar os Três Primeiros Anos - A Experiência de Lóczy, a educadora Katalin Hevesi explica que, quando se produz atenção recíproca, é natural que o pequeno ofereça o pé para que vistam nele a roupa.
"Quero pôr a meia e o tênis sozinho"
"Quero pôr a meia e o tênis sozinho"
Segundo a pedagoga Katalin Hevesi, estimular a criança a fazer os movimentos necessários para se vestir e despir é uma das finalidades concretas e bem definidas do trabalho educativo na creche. Para que ele dê certo, é preciso que o educador tenha contato visual com o bebê, converse com ele e o deixe tentar. "Caso alguém ponha a blusa de trás para a frente, eu aviso. Se não conseguir arrumar, ajudo e digo o que estou fazendo", diz Marília.
"Quanta coisa diferente"
"Quanta coisa diferente"
Espaços abertos, como o parque, proporcionam contato com variedade de texturas, cores, elementos e desafios. "É interessante observar que no início a turma sente medo, mas, ao mesmo tempo, tem curiosidade de se aventurar nos brinquedos", diz Marília. O contato com a natureza e com os colegas ajuda os pequenos a redimensionar a ideia que têm do ambiente, de si mesmos e dos outros, além de se dar conta da amplitude do mundo onde estão.
"Uma viradinha e alcanço"
"Uma viradinha e alcanço"
Os bebês são estrategicamente colocados de barriga para cima. O objetivo é que se sintam desafiados a mexer o corpo para apanhar o que desejam. "O brincar livre faz com que ensaiem por si sós as descobertas. O adulto não deve interferir o tempo todo nem tentar ajudar nessas pesquisas", explica Suzana, especialista em Educação Infantil. Segundo Anna Tardos, a vida ativa de uma criança é satisfatória se ela tem liberdade de movimento e algo com que se ocupar relacionado ao seu desenvolvimento.
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