No CEI Aurora, em Curitiba, as educadoras apostam na conversa com os pequenos. "Não faz o mínimo sentido subestimá-los. Ao explicar o que vai acontecer ou o que eles têm de opção para se alimentar no dia, por exemplo, demonstramos respeito e colaboramos com a aquisição de vocabulário", explica Priscila Romero, responsável pela turma de 1 ano. Outro ponto valorizado na creche é a exploração autônoma do ambiente, uma maneira de as crianças avaliarem onde estão e o que podem fazer. "Temos o papel de proporcionar vivências diversas que colaborem com o crescimento físico e com a aprendizagem de todos", explica Bárbara de Oliveira, educadora do grupo de 2 anos. Para isso, a rotina e o espaço são pensados de forma que as crianças possam escolher entre brincar em grupo ou sozinhas, trocar (ou não) um brinquedo com um colega e visitar outros lugares da instituição por conta própria.
"Passo a passo, chego lá"
"Passo a passo, chego lá"
Deixar que as crianças caminhem sozinhas é uma preocupação dos adultos. Mas elas conseguem, desde que sejam incentivadas a desenvolver estratégias. "Temos barras e suportes que podem ser usados como apoio", diz Bárbara. No CEI Aurora, ninguém é forçado a andar tendo os braços segurados pelos educadores nem é carregado de um lado para o outro. O tempo que cada pequeno levará para chegar aonde quer é menos importante do que alcançar êxito por méritos próprios.
"Oba! panela para brincar"
"Oba! panela para brincar"
Na seleção de brinquedos para o grupo, nem todos precisam brilhar, fazer barulho ou ser comprados nas lojas especializadas. Vale investir também nos chamados não convencionais. "Itens que as pessoas têm em casa, como acessórios de cozinha, despertam a curiosidade", diz Priscila. A atenção dos bebês de quase 1 ano é atraída por panelas, bacias, potes e copos plásticos e objetos menores, que podem ser colocados dentro deles e depois retirados pelas próprias crianças.
"Posso segurar a colher"
"Posso segurar a colher"
É prática incentivar os bebês a comerem sozinhos desde cedo. Eles conseguem, basta deixar que tentem - ainda que fiquem sujos no fim da refeição. "É necessário dar às crianças oportunidade para que desenvolvam as habilidades motoras", fala Priscila. Alertas importantes: nada de forçar os pequenos a comer caso não queiram e sempre ofereça a possibilidade de escolha sobre o que provar. Aos adultos, cabe selecionar as opções e apresentá-las ao grupo.
"Acordei e já vou levantar"
"Acordei e já vou levantar"
Os bebês devem dormir em colchões no chão ou em camas baixas, próximos à área em que os colegas estão. "O local deve ser de fácil acesso a todos e visível para os educadores", explica Priscila. O objetivo é mais uma vez incentivar a autonomia das crianças, sem deixá-las abandonadas. "Assim, elas podem deitar quando quiserem e levantar sozinhas, conforme suas necessidades e vontades", diz Suzana, especialista em Educação Infantil.
"Quer trocar comigo?"
"Quer trocar comigo?"
Priscila deixa todos brincarem e se entenderem. "Sempre estou por perto para intervir caso note que alguém vai se machucar", explica. Deixar que os pequenos resolvam questões, como a disputa por um objeto, faz com que aprendam a agir com independência, tendo de assumir as consequências. A atitude também contribui para o desenvolvimento afetivo e a tomada da consciência da existência do outro. "O educador deve incentivar quem não defende a posse de um brinquedo a fazer isso", diz Mariana, do Instituto Avisa Lá.
Nenhum comentário:
Postar um comentário