Estabelecer uma rotina produtiva garante que ninguém fique parado à toa
e mostra que a equipe é capaz de integrar cuidados com o ato de educar.
Pensar numa rotina
eficiente para bebês e crianças pequenas exige, é claro, coordenar a intenção
de cuidar com o ato de educar. "Nessa fase, as necessidades biológicas,
como sono, alimentação e higiene, são tão importantes
quanto as afetivas, motoras, cognitivas e sociomorais", destaca a
psicóloga Luciene Tognetta, da Universidade Estadual de Campinas, no interior
de São Paulo. Infelizmente, essa ainda não é a prática mais comum em nosso
país: a maior parte das creches é focada apenas na questão dos cuidados,
provavelmente porque essas instituições antigamente eram ligadas às secretarias
de Assistência Social, cujo principal objetivo era exatamente esse.
O ideal, dizem os especialistas, é ter intenções
educativas e definir as atividades em função delas. Dessa forma, a rotina passa
a ser um elemento organizador do cotidiano. Para as crianças de até 3 anos, ter
atividades regradas garante mais conforto e segurança, pois eles se acostumam
com a seqüência de acontecimentos e conseguem prever o que virá depois. Isso
também permite que os pequenos conheçam seus limites e entendam que as coisas
nem sempre podem ser realizadas na hora e do jeito que eles desejam. "A
assimilação de normas desde a primeira infância é imprescindível para que, no
futuro, todos se tornem adultos seguros e tolerantes, capazes de lidar com
frustrações", explica a psicóloga Carolina Zambotto, de São Paulo.
Um bom começo é considerar a faixa etária da
turma e conhecer bem as teorias sobre o desenvolvimento infantil. Não é
possível estabelecer uma rotina fixa para os bebês, que dormem mais e precisam
ter as fraldas trocadas muitas vezes. Mas à medida que eles vão crescendo isso
se torna essencial. Sabe-se que, quanto menor a idade, maior a necessidade de
repetir a rotina até todos assimilarem as regras. Aos 2 anos, por já saberem
andar e entender quase tudo o que lhes é dito, as crianças têm muito mais
facilidade para se adaptar. Entender o contexto social do grupo e a relação da
turma com a família também ajuda a criar rotinas mais adequadas. Finalmente, o
tempo de adaptação às atividades precisa ser levado em conta. "É
importante que tudo o que é planejado possa ser concluído com tranquilidade",
aconselha a psicóloga Roberta Rocha, da Universidade Estadual de Campinas. Os
de 1 ano e meio, por exemplo, demoram mais para chegar ao parque do que os
maiores e, por isso, é preciso sair da sala um pouco mais cedo. Nunca é demais
lembrar que a capacidade de concentração aumenta gradativamente, conforme a
idade. Ou seja, nada de prever tarefas muito longas para não desanimar a
criançada.
Fonte:
http://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/0-a-3-anos/como-aproveitar-bem-tempo-creche-planejamento-rotina-educacao-infantil-bebes-criancas-535435.shtml
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