sábado, 7 de maio de 2016

Somos todos iguais: creche ensina as crianças a conviver com as diferenças

Projeto de inclusão no Sul da Ilha usa bonecos e fantoches para combater o bullying e prevenir o preconceito.
Somos todos iguais: creche ensina as crianças a conviver com as diferenças
Turma da Educação Infantil, alunos, com os bonecos, as professoras e o pequeno Eduardo, ao centro (Foto: Maxwell Varela / Tudo Sobre Floripa)

As professoras da Creche Poeta João da Cruz e Sousa, localizada no bairro Areias do Campeche, no Sul da Ilha, em Florianópolis, encontraram uma forma inusitada de trabalhar com a inclusão social das crianças. Através de brincadeiras com fantoches, bonecos e personagens, os pequenos estão aprendendo a compreender as diferenças e a conviver com pessoas portadoras de alguma deficiência.
A ideia surgiu quando o pequeno Eduardo, de cinco anos, chegou na escola para fazer parte da turma da Educação Infantil. Muito sorridente, hiperativo e carinhoso, Eduardo tem paralisia cerebral, com limitações nos movimentos de braços e pernas. O menino que causou estranheza e questionamentos nos coleguinhas na sua chegada, hoje está integrado à turma como amigo de todos. As diferenças, naquele universo infantil, não atrapalham ninguém.
Professora de Educação Infantil na Creche, Daiana Mendes Martins tem especialização em Educação Especial. Numa das primeiras aulas com a participação de Eduardo, ela percebeu que as dúvidas sobre o garoto que usava cadeira de rodas e falava muito pouco eram cada vez mais recorrentes.
- Por que ele não fala? Por que usa cadeira? O que aconteceu com ele? Ele não pode brincar comigo? -, eram os questionamentos mais comuns.
Numa das aulas sobre o fundo do mar, Daiana teve a ideia de usar personagens que poderiam familiarizar as crianças com essas situações. Convivendo com bonecos semelhantes ao pequeno Eduardo, todos poderiam perceber que, apesar das diferenças, somos todos iguais.
A psicóloga e professora auxiliar Carla Fiorini aderiu à ideia e ajudou a confeccionar os bonecos, feitos de pano com a técnica patchwork. Coloridos e sorridentes, os brinquedos de tecido pareciam estar com defeito de fábrica, mas não escondiam a alegria nos olhos costurados à mão. A boneca vermelha não tem uma perna. O fantoche ficou sem os braços. E o que dizer do pirata, com a perna de pau e o olho de vidro.
Alguns bonecos têm olhos puxados como os orientais, e a pele escura como as pessoas negras. A ideia de prevenir o bullying se transformou num projeto de inclusão social.
As crianças ganharam coletes e tapa-olhos, para ficarem parecidos com o pirata, e talvez entender sua dificuldade em enxergar com um olho só. E como pode ser divertida a comunicação não-verbal, usada por Eduardo, que estica os braços para chamar por alguém, e mostra a língua quando quer um beijo.
Daiana explica que foi preciso buscar algo no lúdico para trabalhar as diferenças e levar o projeto adiante. Na companhia dos bonecos, a turma se reúne para fazer desenhos e contar histórias.
Para a professora, a experiência com os bonecos redimiu todas as dúvidas que haviam sobre Eduardo. Para ela, ao entender que algumas pessoas nascem ou se tornam portadoras de deficiências, seus alunos deram um passo importante na preparação para a vida e para enfrentar um dia o mundo fora da escola e da família. Daiana entende que se todos pudessem aprender essa lição desde cedo, não haveria espaço para preconceito e intolerância.
Mesmo sem usar direito as palavras, Eduardo conseguiu ensinar aos colegas a importância de se compreender e aceitar as diferenças, algo que todos deverão levar consigo para a vida enorme que terão pela frente. Conviver com ele e com os bonecos deixou a turma preparada para novos desafios. Prova disso é a expectativa criada para a chegada de um novo colega, um menino autista de seis anos chamado Luca, que deve se integrar ao grupo nos próximos dias.
Daiana conta que Luca também tem dificuldades com a fala, mas apresenta características diferentes de Eduardo. A familiarização desta vez promete ser ainda mais tranquila.
Iniciativas como esta das professoras da Creche Cruz e Sousa tem feito Florianópolis ser reconhecida no País como referência em educação especial. Mas ainda há um caminho a ser percorrido na busca pela excelência. As chamadas salas multimeios, espaços organizados em 19 escolas da cidade com instrumentos de apoio à educação de cegos, estudantes com baixa visão, surdos, surdos-cegos, com deficiência mental, deficiência física e alguns transtornos, só existem na rede municipal. Nas escolas estaduais, que já convivem com prédios muito antigos e falta de professores, as salas multimeios ainda estão num futuro muito distante.
http://www.tudosobrefloripa.com.br/index.php/desc_noticias/somos_todos_iguais_creche_ensina_as_criancas_a_conviver_com_as_diferencas

2 comentários:

  1. muito bom a postagem, acredito que conviver e aprender a lidar com as diferenças,o ser humano torna-se uma pessoa melhor.
    Att Alan Santos

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  2. muito bom a postagem, acredito que conviver e aprender a lidar com as diferenças,o ser humano torna-se uma pessoa melhor.
    Att Alan Santos

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